quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Uma defesa ateísta


“Ateu. Adj. 1. Diz-se daquele que não crê em Deus ou nos deuses; ímpio.” (Aurélio – 1ª edição)

Antes de mais nada, quero esclarecer que dirijo esse texto a pessoas racionais. Fé e razão não são assuntos tão díspares quanto se pensa, como vou tentar mostrar nesse texto. Para quem realmente acredita que Eva descendeu de uma costela de Adão (54% dos brasileiros), ou que Noé colocou todos os animais em casais na arca por 40 dias e 40 noites (o que ele deu de comer aos leões? E como ele conseguiu pegar todos os invertebrados, como besouros, formigas, cupins? E as plantas, fungos, bactérias e seres unicelulares?), para aqueles que acreditam nessas afirmações ao pé da letra, e não metaforicamente, peço que não entrem na discussão. Mesmo porque quem acredita nisso, poderia falar que Papai Noel e coelho da páscoa que entrega ovos de chocolate também existe, sendo que não temos nenhuma prova empírica disso.

Como a evolução dos seres vivos hoje em dia é visto como um fato devido a fósseis e datações precisas de elementos radioativos, estudos geológicos, e até matemática, não entrarei no mérito de como aconteceu, mas sim que, de fato, a evolução dos seres vivos é algo praticamente palpável (como a evolução ocorreu é explicada por uma teoria, chamada de seleção natural, pertencente a um inglês de nome Charles Darwin).

Dentro da teoria deísta existem muitos tipos de pessoas (teoria, pois não existe como fazer um experimento científico para validar a hipótese). Existem os de “extrema direita” que acham que Deus criou a terra em 7 dias, no sétimo descansou, Adão, Eva, maçã, aquela coisa toda. Essa primeira visão não condiz com os fatos observados na Terra, pois se sabe que nosso planeta possui mais do que 4000 anos, como escrito na bíblia, algo em torno de 3,5 bilhões de anos. Não existe nenhuma prova concreta, a não ser anotações em um livro escrito por homens, de que o mundo foi criado em tão pouco tempo. Aceitar que todos os seres vivos foram feitos em apenas 7 dias é o mesmo que acreditar em um Papai Noel que entrega presentes para todas as crianças em apenas um dia, na noite de natal, em um trenó puxado por renas voadoras.

Existem os deístas de “centro-direita” que acreditam que na verdade não são 7 dias literalmente, mas sim 7 eras geológicas, em que coisas aconteceram, há muito tempo, evoluíram, e hoje são como são. Esses já são deístas evolucionistas, mas ainda acreditam que de vez em quando Deus, que observa lá de cima ainda hoje, atua em alguns acontecimentos de nossas vidas. Não existem provas de que isso aconteça, portanto a ciência não pode dizer se isso é verdade ou não.

A partir daí existem variações de “centro esquerda”, que acreditam que existiu evolução, que Deus, nesse caso não necessariamente uma entidade física, talvez só uma energia, criou o universo há muito tempo, mas que ele apenas deu uma ajudinha no começo e depois deixou o barco seguir seu rumo.

Finalmente na “extrema esquerda”, que são os que acreditam que Deus, uma espécie de energia e não uma entidade material, criou o universo e era tão onisciente que sabia como seria o final do que havia criado, e portanto não precisaria mais se intrometer.¹

O meu ponto é o seguinte, os ateus acreditam, creio eu, no Big Bang. Uma grande quantidade de energia, atemporal, que surgiu num ponto de imensa densidade, explodiu, e deu origem a todos os elementos químicos, a todas as galáxias, estrelas, buracos negros, planetas, e à Terra. Os deístas, por sua vez, acreditam que Deus é uma entidade atemporal que em um determinado momento gerou o universo. É interessante olhar, no entanto, para a visão da “extrema esquerda” deísta que pode ser definida como uma grande quantidade de energia, atemporal, que gerou uma explosão e deu origem a tudo. Desse modo, nota-se que a visão entre os ateus e os deístas de “extrema esquerda” são extremamente semelhantes: Energias atemporais que criaram o universo! Seria então mais um problema de nomenclatura do que de crença em si porque poderíamos chamar de Deus uma energia que os cientistas chamam de Big Bang.

Mas existe uma diferença entre as duas visões, uma diferença gritante. Quando tratamos o Big Bang como entidade criadora do universo, estamos tirando do cenário qualquer idéia de intencionalidade por parte dessa energia. Essa energia não quis formar o universo, aconteceu por acaso, sem uma intenção consciente. No entanto, quando tratamos de Deus como entidade criadora, atribuímos uma idéia de intencionalidade, de que essa energia teria consciência de que criaria o Universo do jeito como ele é hoje. O ateu acredita que não existiu uma intencionalidade na origem do universo, foi ao acaso, enquanto o deísta acredita que houve uma intencionalidade consciente, não ao acaso.

Veja, no entanto, que isso se trata de uma crença, já que é algo que não podemos provar. Os cientistas não podem voltar no tempo, no momento do início, para ver se existiu um ser consciente. Não temos certeza de nada, é algo em que acreditamos. Assim, como os religiosos acreditam que houve uma intencionalidade, nós ateus acreditamos que não. Portanto a definição dada pelo Aurélio, ímpio (Adj: 1. Que não tem fé, incrédulo, herege.) é errônea.

Acho interessante como as pessoas têm um certo receio com ateus. Geralmente somos vistos como arrogantes, donos da verdade, anárquicos (sim, pois se não seguimos as leis de Deus, não seguimos nenhuma lei, portanto não se pode confiar em um ateu), que são pessoas que não são felizes completamente e alguns outros adjetivos que não me recordo agora.

Primeiramente, quem se diz dono da verdade é o Vaticano. De acordo com a doutrina cristã, apenas a palavra do senhor é a verdade. Em nenhum momento dizemos que somos donos da verdade, apenas acreditamos que o universo não tenha sido intencionalmente criado. Não sabemos a verdade e estamos muito confortáveis com isso. Segundo, não somos anárquicos, seguimos a lei do bom senso, que é, não por coincidência, os mesmos preceitos da doutrina religiosa. Eu não vou roubar porque não quero que ninguém roube nada de mim. Simples assim. Não vou matar ninguém porque isso tem conseqüência prática (alguém pode querer se vingar), psicológica, social, entre muitas outras. E para finalizar, os deístas acreditam que não somos felizes completamente porque não acreditamos no que eles acreditam. E nós é que somos arrogantes?

4 Comments:

Ana Clara said...

Vc e suas teorias!!!!rsrsrsrs
Eu pelo menos não acho que as pessoas que não acreditam no que EU acredito, sejam menos felizes que eu!!!
Cada um tem uma maneira de encarar a vida.
Pra mim é mais fácil e sou feliz, acreditando em Deus.
Essa é a minha FÉ... acredito em milagres e tbm acredito sim que a Terra foi criada em 7 dias! E sim... temos prova. A Bíblia é uma prova disso. Eu acredito em tudo o que está escrito nela.
Mas tbm respeito a forma que cada um pensa. Temos livre arbítrio pra isso...
Adoro seus textos... ainda mais escritos aqui!!! Agora tbm posso comentar!!!
Bjosssss lindo!!! Adoro vc!!

chico said...

a vida é linda, eu te respeito, vc me respeita.

Chega disso! As religiões entram em guerra sim, mas não perdem a pose. Meramente por quê??? Por que se não a ONU CRAU e o mundo CRAU e os mulçumanos estão cansados de tanto levar CRAU.

Henry Sobel. Rouba e acusa os remédios, vendo que seria muito mais difícil sair da prisão alegando ser superior com poder de pegar o do alheio.

Henri Sobel amenizou não comprou briga e não levou tanto CRAU.

Osama e hitler levaram crau e vão levar até depois da morte.

Hoje em dia compensa ser razoável. As crenças também estão passando pela globalização. E é claro! aquela que se der melhor todo mundo vai. Se der melhor no que? Na briga oras... e vai ganhar quem for mais razoável, e num estalar de anos estaremos todos com a mesmo religião ou crença.

chico said...

Alef,

o que vc acha dos ateus e atéias fazerem o mesmo que os mulçumanos intelectuais fizeram aos cristãos?
Os mulçumanos mandaram uma carta no dia do natal, com "tons conciliatórios"

Veja a notícia neste link:

http://www.estadao.com.br/vidae/not_vid100612,0.htm

e a carta neste:

http://www.acommonword.com./lib/downloads/Christmas-Greeting-v7-final-24-12-07.pdf

E você Alef, tem condições plenas de fazer algo semelhante. Considere a escrita deste comentário como um treino, e não apenas uma defesa!

Luiz Raatz said...

Concordo plenamente com vc