segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Coisas de homens – parte 2

“Videogame é coisa pra moleque”. É o que eu mais ouço de garotas irritadíssimas por serem trocadas, na tarde do domingão chuvoso, por um bando de marmanjos ligados a joysticks, fazendo campeonato de Winning Eleven. Protesto pelo meu direito de defesa. Não que eu queira que as garotas passem a gostar de jogos eletrônicos, quero só que elas entendam por que gostamos e que respeitem isso.

Jogos eletrônicos são vistos como a 10ª arte por muitos estudiosos. A 9ª arte, por exemplo, são revistas em quadrinhos. Eu não leio, não consumo, não gosto. Mas sei reconhecer que podem ser tratados como arte, visto que já vi para vender mangás de 300 páginas, com desenhos incríveis, cores belíssimas e acabamento de primeira. Arte.

Acho que antes poderíamos tentar definir o que é arte, o que não é uma tarefa fácil, mesmo porque não existe um conceito exato pra isso. Vou ficar com um conceito de um cara que eu não lembro o nome (nunca guardo minhas fontes) que dizia: “Arte é a materialização das emoções”, é quando você cria algo e quer que esse algo que você criou desperte algum sentimento na pessoa que irá apreciar aquela arte. Acho essa definição muito melhor do que a de outros autores como: “Arte é tudo aquilo que você quer que seja” ou “Arte é tudo aquilo que não tem utilidade prática”. A idéia de que arte é a materialização das emoções funciona muito bem pra música, cinema, pintura, literatura, fotografia, teatro, você sente, vive aquele momento. Na minha modesta e humilde opinião, creio que Arte é algo que te leva a algum lugar diferente do que você se encontra, pelo menos por um período pequeno de tempo, tira você da sua realidade, te fazendo sentir diferentes emoções.

Existem músicas que te fazem se imaginar na praia, ou dirigindo em alta velocidade. Existem quadros, fotografias, que te levam para outro lugar, faz você viver diferentes experiências. Livros que te levam a outros países, outras culturas; filmes que te fazem viver um agente secreto do governo americano ou um jantar romântico em Paris. A arte, em suma, é a fuga da realidade. (Claro que nem tudo que te faz fugir da realidade é arte - para os maconheiros de plantão - o inverso não se mostra verdadeiro)

Pois bem, quer algo mais artístico do que algo que te leva a viver na era medieval? Ou roubar um banco? Ou um piloto de avião, agente secreto, técnico de futebol? O videogame é como um filme, você vive a vida de outra pessoa. É uma fuga da realidade, com a diferença de que nos jogos você pode tomar uma posição ativa na história, e não só passiva como nos filmes. Quem já jogou Resident Evil, Legend of Zelda, Counter Strike, sabe do que eu estou falando. Medo, sustos, corações acelerados, felicidade por uma conquista, todas as emoções em um só jogo. Tanto que a indústria dos jogos, atualmente, é maior do que a do cinema. Dizem que ela está chegando perto da indústria da música e que daqui a alguns anos ela arrecadará mais dinheiro que as duas juntas! Existem jogos que a trilha sonora é feita por orquestras famosas, como a filarmônica de Nova York, em que os enredos são feitos por roteiristas profissionais, imagens que beiram o realismo, liberdade de movimentos. Milhões são gastos para proporcionar aos jogadores o máximo de envolvimento e interatividade. O videogame deixou de ser coisa de moleque há muitos anos.

Não estou aqui tentando desmerecer as outras artes, estou apenas tentando incluir os jogos eletrônicos na categoria de arte (Na verdade só estou tentando justificar algo que já é considerado arte). Tenho muitas amigas que dizem que não, que é exagero da minha parte. Acho que se elas se esforçassem para entender ao invés de ficar reclamando dos namorados que as trocam pelos malditos joysticks, podiam aprender como jogar, jogar junto com eles. Talvez poderiam tirar algum proveito, ter alguns momentos de diversão. Ou também podem nos deixar jogando e ir curtir um livro, ou ver um filme. Cada um com sua arte.

3 Comments:

cássia said...

claro, eu protesto. primeiro pela definicao de arte. exemplo cliche: e a monalisa? o que vc sentiu quando a viu? porra, eu tô perto do quadro de da vinci! só... pra comecar nao da nem para parar e analisar o quadro, tamanha a distancia e os efeitos do maltito vidro verde, e, nao da para entender muito mesmo aquele quadro se vc nao estuda antes.
agora o video game... tá bom alef, concordo que tem alguns jogos que sao fodas, gosto de jogar, trabalhei em lan house... mas agora, nao vem me dizer de marcar campeonato de video game no domingo... campeonato é o caráleo! ainda mais quando no domingo sua namorada tá indo embora, fim do fim de semana. eu entendo sua raca, contanto que mantenha o video game longe enquanto eu estiver perto!

Edwin said...

Defendo o Alef, se vcs trocarem a palavra "Video-game" pela palavra "Novela" vocês iram entender o que os homens querem dizer!

Ariádine said...

primeiro: adorei o comentario do edwin.

quanto ao texto, até concordo com você, porém temos que levar em consideração uma coisa:
a pintura, a música, a fotografia, o cinema e tudo mais são manifestações artísticas que não só consumimos, como podemos praticar, mesmo que mal e porcamente.
qualquer um pode sair da realidade pintando um quadro, criando a arte, expressando ali a realidade, mesmo que não fique "bonito"aos olhos dos outros. (aliás isso é MEGA relativo, pra mim, arte não se julga) mas no caso do videogame, nós apenas consumimos. é um tipo de arte muito específico, não é qualquer um que além de jogar o jogo, CRIA o jogo. isso faz bastante diferença.

isso deve estar dando dinheiro, ein????
=P